Parem de romancear a ansiedade!
Já vi isso acontecer com a bipolaridade. Já vi isso acontecer com a depressão. E parece que agora todo mundo tem ansiedade. Só que tratar uma doença mental da maneira romanceada, como acontece nas redes sociais, é bastante complicado: primeiro porque tira da doença o seu próprio estatuto de doença, e, depois, porque faz parecer que é algo controlável, que a gente almeja, que nos torna, sei lá, "fofinhos".
E não é bem assim: antes de tudo, precisamos parar de tratar doenças mentais como coisas que podemos controlar. Se a gente não controla câncer, a gente não controla depressão, bipolaridade e nem ansiedade, que são só nomes para condições do nosso próprio cérebro. O que a gente faz é tratar, usando remédios, ou terapias alternativas, e tenta viver a vida como a gente pode.
Depois, precisamos parar de associar essas coisas com maluquices. Não é loucura: é uma realidade que a gente vive. Se os sentimentos que a gente sente são maiores, mais assustadores, mais entristecedores e mais depressivos e, algumas vezes, muito mais felizes (porque algumas pessoas, por exemplo, podem se sentir muito tristes uma hora e depois em êxtase), isso é uma criação do nosso corpo que dá forma a nossa realidade. E, convenhamos, cada um vê o mundo de uma maneira diferente.
Ok, mas o que quero dizer com isso? O que a gente sente é sim uma realidade, só que nossa, tão real quanto qualquer outra coisa e que cria respostas corporais. E deixo aqui a minha nota para qualquer pessoa que esteja passando por isso: Você não está exagerando, não está louco e não precisa se desculpar pelo que sente para ninguém!
Desde pequena eu convivo com enxaquecas, daquelas bem fortes e que simplesmente nada fazia passar, sabe? Eu ficava todos os dias com dor até descobrir que o que causava essas enxaquecas era minha ansiedade. Eu também achava que tinha pressão baixa. Vira e mexe parecia que caia minha pressão: eu começava a sentir os batimentos do meu coração, o estômago parecia que tinha um buraco e o mundo começava a ficar escuro. Imaginem a minha surpresa ao descobrir que isso não era queda de pressão e sim crise de ansiedade. E essas são só algumas das respostas corporais que a gente pode ter. Tem muitas outras, e cada corpo é um corpo. Cada um sente de um modo diferente.
E por isso a gente precisa aprender que não adianta falar para uma pessoa com depressão que ela precisa levantar e lutar, porque, às vezes, simplesmente não dá e ela está tentando o melhor que ela consegue. Ou, por exemplo, me diz como a gente fala para uma pessoa com enxaquecas diárias para parar de ter dor? Não dá, né? Minha dica para pessoas que convivem com uma pessoa com depressão, bipolaridade ou ansiedade é que se mostrem presentes. E a gente faz isso com um beijo, com carinho, com comentários positivos -e nem sempre isso vai funcionar, ok? E não é culpa nossa nem de quem está do nosso lado.
Se vocês acham que acabou e deu por aqui, pensem de novo: outro aspecto complicado são os remédios usados para tratar depressão, bipolaridade e ansiedade. Os que tomo para ansiedade são bem fortes e tem diversos efeitos colaterais. Além de me darem muita fome (eu pareço um buraco sem fundo), eles diminuem muito a velocidade dos meus pensamentos e, algumas vezes, eu nem me sinto eu mesma. Sempre penso que quero parar e tentar ficar só com a yoga e com a minha arte, e tentar viver bem assim, mas tenho tanto medo das enxaquecas e do que eu sentia antes, que ainda estou pensando sobre o que fazer.
Então minhas dicas para quem acha que pode ter algum transtorno de ansiedade são:
1. Procurem um médico psiquiatra. Não liguem para o estigma de terem que lidar com um, porque isso pode ajudar muito na sua luta contra a doença, mesmo que seja para ouvir de alguém que o que você sente não acontece só com você e que é possível melhorar.
2. Pesem bem a ideia de começar a tomar remédios e lembrem-se, um remédio como um anti depressivo, por exemplo, demora pelo menos 1 mês para começar a fazer efeito, ou seja, você não vai se sentir ótimo em uma semana. É um processo, ok?
3. Tentem sempre fazer exercícios, porque isso realmente ajuda. Eu tenho tido muita dificuldade ultimamente para conseguir ter a disciplina que eu tinha antes, mas isso tem a ver com a fase difícil pela qual estou passando agora.
4. Vivam um dia de cada vez. Se hoje você não conseguiu levantar e nem fazer muita coisa, está tudo bem. Amanhã é um novo dia e você tem mais uma chance.
5. Leiam um livro, ouçam música ou assistam uma série no Netflix. Viver um pouco fora das nossas cabeças ajuda bastante.
6. Criem uma rotina e tentem segui-la. Isso ajuda a acalmar os pensamentos e os sentimentos.
7. Lembrem-se que existem pessoas que amam você e a vida só vale a pena ser vivida por causa delas.
Espero que este post tenha ajudado pelo menos uma pessoa que passa algo como o que eu passo. E deixo um beijinho especial para todas as pessoas que como minha família amam e convivem com alguém como eu: vocês são guerreiros também, por nos amarem e por estarem sempre do nosso lado.


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